
Na dificuldade em se expressar de forma natural e neutra na confecção das formas no papel canson e, depois na montagem dos cartazes, ficou claramente exposto que ainda não conseguimos andar com nossas próprias pernas e deixamos transparecer valores a nós repassados, e que estão bem cristalizados em nossa mente e, consequentemente em nossas ações.
Apesar da frustração em querer acertar fazendo algo diferente mas errando inconscientemente, desejamos plantar uma nova semente dentro de nós e transformar nossas ações em algo diferente do que já existe e transcender a essas formas ultrapassadas que vê o homem como se ele fosse o projeto finito do futuro. Utopia. Sim. Sonhar ainda é a nossa esperança de transformação da realidade. O homem é um ser inacabado, e a cada geração tentamos ver o mundo de outra perspectiva dando sentido a esse ser. Tentando terminá-lo? Não. Só Deus pode torná-lo perfeito, mas permitindo que reflita sobre suas ações e construa um mundo de acordo com o seu desejo interior, fazendo da arte algo mais do que só reproduzir, interagindo mais com o meio numa relação única, construindo um mundo mais justo, em que todos possam viver e ser respeitados nas suas diferenças.
Cabe a nós, educadores, interferir de forma contínua e incansável na transformação das mentalidades, dando às nossas crianças a base necessária para atingir os objetivos através da arte transformadora e crítica do homem no mundo. Reafirmamos, então, que é preciso mudar, primeiro, a nossa mentalidade de futuro educador, e deixar que a realidade e o sonho se fundam em um só momento, e a partir daí, permitir-se informar, discutir e cirar.
Fatima moreira
professora e educadora